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HFOF11: Dividendos de 11% e desconto histórico atraem recomendação de compra da XP

HFOF11: Dividendos de 11% e desconto histórico atraem recomendação de compra da XP

Corretora reitera compra para o Hedge Top FOFII 3 com preço-alvo de R$ 7,77 e destaca combinação rara de yield elevado e cota abaixo do valor patrimonial

Corretora reitera compra para o Hedge Top FOFII 3 com preço-alvo de R$ 7,77 e destaca combinação rara de yield elevado e cota abaixo do valor patrimonial

Redação ND

Redação ND

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## A tese em números: o que a XP enxerga no HFOF11

A XP Investimentos reiterou sua recomendação de compra para o Hedge Top FOFII 3 (HFOF11), um dos fundos de fundos imobiliários (FOF) mais relevantes da indústria brasileira. O preço-alvo estipulado pela corretora é de R$ 7,77 por cota — patamar que representa um upside de aproximadamente 15% em relação às cotações recentes negociadas na Bolsa, na faixa de R$ 6,70.

Mas o argumento central da recomendação não está apenas na valorização potencial da cota. Está na combinação de dois fatores que raramente aparecem juntos com tanta nitidez: um **dividend yield anualizado próximo de 11%** e um **desconto expressivo em relação ao valor patrimonial líquido (VPL)**. Para investidores de alta renda acostumados a avaliar ativos reais com critério, essa combinação merece análise cuidadosa.

## O que é um fundo de fundos imobiliário e por que o desconto importa

O HFOF11 é um FOF — estrutura que investe em cotas de outros fundos imobiliários listados em bolsa, em vez de adquirir diretamente imóveis ou recebíveis. A gestão é da Hedge Investments, uma das casas independentes com maior histórico no segmento de FIIs no Brasil.

Nesse modelo, o valor patrimonial do fundo é calculado com base no valor de mercado dos ativos que compõem a carteira — ou seja, as cotas dos FIIs que o HFOF11 detém. Quando a cota do próprio HFOF11 é negociada na bolsa abaixo desse valor patrimonial, o investidor está, na prática, comprando um portfólio diversificado de fundos imobiliários com desconto.

Historicamente, FOFs oscilam entre prêmio e desconto em relação ao VPL dependendo do ciclo de mercado, apetite por risco e liquidez do segmento. O ponto atual, segundo a XP, representa um dos descontos mais pronunciados dos últimos anos para o HFOF11 — criando uma janela de entrada que a corretora considera assimétrica do ponto de vista risco-retorno.

## Yield de 11%: sustentável ou armadilha de valor?

Um dividend yield de dois dígitos em FIIs sempre levanta uma questão legítima: trata-se de geração de caixa real e recorrente, ou de distribuições pontuais que corroem o patrimônio no longo prazo?

No caso do HFOF11, a análise da XP sugere que o yield reflete, em boa parte, os rendimentos distribuídos pelos FIIs da carteira — majoritariamente fundos de papel (CRIs indexados ao CDI e à inflação) e fundos de tijolo com contratos de locação longos. O portfólio do fundo historicamente é diversificado entre diferentes segmentos: logística, escritórios, shoppings, recebíveis e híbridos.

Com a taxa Selic mantida pela política monetária do Banco Central em patamar restritivo — atualmente em 13,75% ao ano, com perspectiva de cortes graduais no horizonte — os FIIs de papel continuam gerando rendimentos robustos. Fundos atrelados ao IPCA + spread também se beneficiaram da inflação persistente dos últimos dois anos. Isso significa que parte relevante dos rendimentos do HFOF11 não é evento extraordinário, mas sim fluxo operacional derivado de contratos reais.

## Contexto macro: por que agora pode ser o momento

O setor de fundos imobiliários passou por uma correção significativa entre 2021 e 2023, pressionado pelo ciclo de alta de juros mais agressivo desde a era pré-Plano Real. O IFIX — índice que reúne os principais FIIs listados — acumulou perdas expressivas nesse período, e fundos de fundos como o HFOF11 sofreram duplamente: pela queda dos ativos da carteira e pela aversão do mercado à classe como um todo.

Agora, com o ciclo monetário mostrando sinais de inflexão e projeções apontando para redução gradual da Selic nos próximos trimestres, o mercado começa a precificar uma recuperação do segmento. FIIs tendem a se valorizar em ambientes de juros em queda, pois o diferencial de yield em relação à renda fixa se amplia e o custo de oportunidade do investidor diminui.

Para um FOF como o HFOF11, esse cenário pode gerar um efeito multiplicador: a valorização dos FIIs na carteira eleva o VPL, enquanto o fechamento do desconto entre cota e patrimônio adiciona uma segunda camada de retorno ao investidor que entrar agora.

## Riscos que o investidor sofisticado não pode ignorar

A assimetria positiva identificada pela XP não elimina os riscos. Há pelo menos três vetores de atenção relevantes:

**Persistência dos juros altos.** Se o Banco Central for forçado a manter ou elevar a Selic por mais tempo — cenário possível diante de pressões fiscais e câmbio depreciado —, a recuperação dos FIIs pode demorar mais do que o mercado precifica hoje. FOFs seriam impactados diretamente.

**Gestão ativa e custos duplos.** Fundos de fundos carregam duas camadas de taxa de administração: a do próprio FOF e a de cada fundo investido. Isso corrói retorno líquido e exige que a gestão da Hedge Investments entregue consistentemente alfa sobre o IFIX para justificar o custo adicional.

**Liquidez e volatilidade.** HFOF11 tem volume médio diário de negociação moderado. Investidores com posições relevantes podem enfrentar dificuldades para montar ou desmontar posições sem impacto no preço, especialmente em momentos de stress de mercado.

## O perfil de investidor para quem o HFOF11 faz sentido

A tese do HFOF11 se encaixa melhor para o investidor de alta renda com horizonte de dois a quatro anos, que busca renda isenta de Imposto de Renda — benefício fiscal que os FIIs oferecem a pessoas físicas com menos de 10% do fundo e fundos com mais de 50 cotistas e negociados em bolsa — combinada com potencial de valorização da cota.

Para quem já possui exposição a imóveis físicos ou outros FIIs individuais, o HFOF11 pode funcionar como camada de diversificação gerida por profissionais especializados. Para quem está iniciando exposição ao segmento, a estrutura de FOF oferece acesso a dezenas de ativos imobiliários distintos com uma única alocação.

## Conclusão: desconto histórico como margem de segurança

No vocabulário do investimento em valor, **margem de segurança** é o colchão entre o preço pago e o valor intrínseco estimado de um ativo. O desconto histórico do HFOF11 em relação ao seu valor patrimonial funciona exatamente como essa margem — reduzindo o risco de perda permanente de capital e ampliando o potencial de retorno para quem tem paciência e horizonte adequados.

A recomendação da XP com preço-alvo de R$ 7,77 não é garantia de resultado. É, porém, um sinal de que analistas especializados enxergam uma janela rara de entrada em um fundo com histórico sólido, gestora reconhecida e portfólio diversificado — tudo isso sendo negociado com desconto e pagando yield de dois dígitos.

Em um ambiente de mercado ainda volátil e com muitas incertezas macroeconômicas, oportunidades com esse perfil merecem atenção dos investidores que pensam em patrimônio de longo prazo.

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