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Santander renova carteira de julho com Sabesp e retornos de até 11,66%

Santander renova carteira de julho com Sabesp e retornos de até 11,66%

Banco retira RD Saúde e inclui SBSP3 entre as 11 ações recomendadas, apostando em saneamento regulado e dividendos defensivos no segundo semestre

Banco retira RD Saúde e inclui SBSP3 entre as 11 ações recomendadas, apostando em saneamento regulado e dividendos defensivos no segundo semestre

Redação ND

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## A lógica por trás da troca: por que sai RADL3 e entra SBSP3

O Santander iniciou julho com uma movimentação cirúrgica em sua carteira recomendada de ações: a saída de RD Saúde (RADL3) e a entrada de Sabesp (SBSP3). A mudança não representa uma virada de tese sobre o setor de saúde — os analistas do banco deixaram claro que mantêm visão construtiva de longo prazo para a rede de drogarias. O problema, segundo o banco, é o momento.

No curto prazo, a avaliação do Santander é que os investidores tenderão a adotar postura mais cautelosa com papéis cujos fundamentos dependem de uma recuperação mais gradual do consumo e da rentabilidade operacional. RADL3 acumula pressão de margens decorrente da expansão agressiva de lojas nos últimos anos e ainda carrega a sombra da concorrência crescente no varejo farmacêutico. Em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil — a taxa Selic segue em patamar contracionista —, ações de crescimento com múltiplos esticados ficam mais vulneráveis a correções.

A Sabesp, por outro lado, oferece um perfil radicalmente diferente: é uma empresa de infraestrutura regulada, com receitas previsíveis atreladas a contratos de concessão e um processo recente de privatização que reconfigurou sua estrutura de governança e eficiência operacional. Para investidores de alto patrimônio que buscam equilibrar retorno e volatilidade na carteira, a troca faz sentido dentro de uma leitura de segundo semestre mais defensiva.

## Sabesp: a privatização que mudou o jogo

A Sabesp passou por uma transformação estrutural relevante em 2024, quando o governo do Estado de São Paulo concluiu o processo de desestatização da companhia. A Equatorial Energia assumiu posição de referência no capital da empresa, trazendo consigo um histórico comprovado de turnaround operacional — o mesmo modelo aplicado com sucesso em distribuidoras de energia elétrica no Nordeste e no Norte do país.

O mercado recebeu bem a mudança. SBSP3 valorizou-se de forma consistente desde a conclusão da operação, e os analistas passaram a precificar ganhos de eficiência que antes eram represados pela gestão pública. Entre os vetores de criação de valor estão: redução de perdas na distribuição de água, expansão do saneamento básico no interior paulista (impulsionada pelo Marco Legal do Saneamento), corte de custos administrativos e maior disciplina no capex.

Do ponto de vista regulatório, a Sabesp opera sob o guarda-chuva da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), com revisões tarifárias periódicas que garantem recomposição de receita real. Esse mecanismo de proteção contra a inflação é especialmente valioso em um cenário de incerteza fiscal como o atual.

## Os números da carteira: retornos de até 11,66%

A carteira recomendada do Santander para julho contempla 11 ações com potencial de retorno que chega a 11,66% no horizonte de análise do banco. Esse número não é trivial: em um contexto em que o CDI anualizado gira em torno de 10,5% a 10,75%, superar o benchmark da renda fixa com ações exige seleção criteriosa e timing adequado.

A composição da carteira reflete uma visão equilibrada entre setores defensivos e cíclicos. Além da Sabesp, o portfólio mantém exposição a empresas com fluxo de caixa robusto, capacidade de pagamento de dividendos e balanços saneados. A presença de nomes ligados ao agronegócio, ao setor financeiro e à energia elétrica sugere que o banco busca diversificação setorial como mecanismo de proteção contra choques específicos.

Para o investidor de alto patrimônio, a carteira do Santander funciona menos como um roteiro a ser seguido à risca e mais como um sinal de onde o consenso do mercado institucional está se posicionando. Bancos de grande porte como o Santander movimentam volumes relevantes com base nessas recomendações, o que cria fluxo de compra que pode sustentar os papéis no curto prazo.

## Contexto macroeconômico: por que julho exige cautela

O segundo semestre de 2025 começa com um conjunto de variáveis que justificam a preferência por ativos mais defensivos. O Banco Central brasileiro sinalizou que o ciclo de alta da Selic pode estar próximo do fim, mas a ancoragem das expectativas de inflação para 2026 ainda não está consolidada. O mercado de câmbio segue volátil, com o real pressionado pela combinação de incerteza fiscal doméstica e fortalecimento do dólar em nível global.

Nesse ambiente, empresas com receitas dolarizadas ou indexadas a índices de preços — como as concessionárias de infraestrutura — ganham atratividade relativa. A Sabesp, com tarifas reajustadas periodicamente pela regulação, se encaixa nesse perfil. O risco regulatório existe, como em qualquer concessão pública, mas a gestão privada tende a ser mais proativa na defesa dos interesses econômicos da companhia junto aos órgãos reguladores.

Além disso, o Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabelece metas ambiciosas de universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário até 2033. O cumprimento dessas metas demanda investimento massivo — e a Sabesp, como maior empresa de saneamento do país em termos de população atendida, está no centro dessa equação. O capex elevado pode pressionar o fluxo de caixa livre no curto prazo, mas cria valor de longo prazo por meio da expansão da base tarifária.

## O que o investidor sofisticado deve considerar

Para quem gerencia carteiras de alto patrimônio, a inclusão de SBSP3 levanta três perguntas práticas que merecem análise antes de qualquer decisão de alocação.

Primeiro, o valuation. Após a valorização pós-privatização, a Sabesp negocia a múltiplos mais exigentes do que no passado recente. O EV/EBITDA projetado para 2025 situa-se acima da média histórica da companhia, o que significa que parte dos ganhos de eficiência esperados já está precificada. O upside, portanto, depende da entrega consistente de resultados operacionais — algo que a Equatorial tem histórico de viabilizar, mas que ainda precisa ser demonstrado no ambiente regulatório do saneamento paulista.

Segundo, a liquidez. SBSP3 é uma das ações mais negociadas da Bolsa, com volume médio diário que supera R$ 300 milhões. Para grandes alocadores, isso significa que é possível montar e desmontar posições relevantes sem impacto significativo no preço — um critério essencial para fundos e family offices com patrimônio acima de R$ 50 milhões.

Terceiro, o dividend yield. Historicamente, a Sabesp não foi uma pagadora generosa de dividendos sob gestão estatal. Com a privatização, há expectativa de que a política de distribuição de capital se torne mais alinhada com as práticas das empresas controladas pela Equatorial. Esse vetor ainda está em construção, mas pode se tornar um atrativo adicional nos próximos anos.

## Conclusão: saneamento como tese de longo prazo

A decisão do Santander de incluir Sabesp em detrimento de RD Saúde não é um movimento de apostador. É uma realocação calculada para um ambiente de curto prazo mais desafiador, com preferência por empresas que entregam previsibilidade de receita, proteção inflacionária e agenda de eficiência operacional lastreada em gestão privada competente.

Para o investidor de alto patrimônio, a mensagem central é que o segundo semestre de 2025 favorece qualidade sobre crescimento, e infraestrutura regulada sobre varejo em expansão. A Sabesp, nesse contexto, representa uma tese bem estruturada — desde que o preço de entrada seja avaliado com disciplina e o horizonte de investimento contemple pelo menos 18 a 24 meses para que os ganhos de eficiência se materializem nos demonstrativos financeiros.

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