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XP inicia cobertura do setor de saúde e aponta melhores ações

XP inicia cobertura do setor de saúde e aponta melhores ações

Relatório da corretora identifica momento atrativo para o segmento e seleciona papéis com maior potencial em diferentes verticais da saúde

Relatório da corretora identifica momento atrativo para o segmento e seleciona papéis com maior potencial em diferentes verticais da saúde

Redação ND

Redação ND

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## XP Entra no Jogo da Saúde: O Que o Relatório Diz aos Grandes Investidores

A XP Investimentos iniciou formalmente a cobertura do setor de saúde brasileiro, publicando um relatório abrangente que posiciona o segmento como uma das apostas mais consistentes para o médio prazo na bolsa doméstica. O documento, elaborado pela equipe de análise de renda variável da corretora, chega em um momento em que o setor acumula cicatrizes profundas — especialmente no segmento de planos de saúde —, mas também começa a apresentar sinais inequívocos de recuperação operacional e de valuations que voltaram a níveis historicamente atrativos.

Para investidores de alto patrimônio com exposição ao mercado acionário brasileiro, o timing da análise não é trivial. O índice setorial de saúde da B3 acumula desempenho inferior ao Ibovespa nos últimos dois anos, penalizado sobretudo pela escalada da sinistralidade nas operadoras de planos de saúde e pelo ciclo de juros altos, que comprime múltiplos de empresas com perfil de crescimento. A pergunta central que o relatório da XP tenta responder é objetiva: chegou a hora de reposicionar?

## O Contexto que Moldou o Setor nos Últimos Três Anos

Para compreender a tese apresentada pela XP, é necessário revisitar o que aconteceu com a saúde suplementar entre 2021 e 2024. A pandemia de COVID-19 represou procedimentos eletivos durante quase dois anos. Quando as restrições foram levantadas, esse represamento se converteu em um tsunami de utilização dos planos — cirurgias postergadas, diagnósticos atrasados e, especialmente, o fenômeno das terapias de alto custo oncológicas. A sinistralidade das grandes operadoras disparou para patamares acima de 90%, em alguns trimestres superando 95%, destruindo margens que historicamente orbitavam entre 15% e 20% no segmento de gestão de saúde.

Empresas como Hapvida, NotreDame Intermédica (hoje fusionadas), SulAmérica (incorporada pela Rede D'Or) e Qualicorp sofreram compressões severas de lucro. O mercado puniu os papéis de forma contundente: ações que chegaram a valer múltiplos de 30 a 40 vezes o lucro projetado foram reprecificadas para um dígito de múltiplo. Esse ajuste, doloroso para quem carregou as posições, é exatamente o que a XP enxerga como ponto de entrada.

## A Tese Central: Normalização e Seleção

O relatório da XP não faz uma aposta genérica no setor. A corretora reconhece que diferentes verticais da saúde se encontram em estágios distintos do ciclo de recuperação, e que a seleção de papéis é determinante para capturar o retorno sem assumir riscos desnecessários.

A sinistralidade, que representa o principal driver de resultado para operadoras, já apresenta trajetória de normalização. Os reajustes autorizados pela ANS — Agência Nacional de Saúde Suplementar — nos últimos dois anos foram os mais elevados da série histórica recente, chegando a superar 15% em algumas faixas etárias em 2023. Esses reajustes, combinados com ações de gestão de carteira (cancelamentos de contratos não rentáveis, revisão de rede credenciada e intensificação de práticas de saúde preventiva), começam a se materializar nas margens operacionais.

No segmento de diagnósticos e análises clínicas, a dinâmica é distinta. Fleury e DASA sofreram por razões diferentes: excesso de capacidade instalada herdada do período pandêmico e pressão de custo de pessoal. O processo de racionalização de rede e renegociação de contratos já está em curso, e a XP acredita que os resultados do segundo semestre de 2024 e do primeiro semestre de 2025 devem mostrar recuperação mais clara.

## Os Papéis Destacados pela Corretora

Sem pretender reproduzir integralmente os preços-alvo definidos pela XP — que podem ser revisados conforme novos dados — é possível identificar as categorias de ativos que a corretora privilegia em sua seleção inicial.

No segmento de operadoras verticalizadas, a preferência recai sobre modelos de negócio que controlam tanto o plano quanto a prestação do serviço médico. A verticalização reduz a sinistralidade ao alinhar incentivos: a operadora tem interesse direto em evitar procedimentos desnecessários quando é ela mesma a prestadora. Hapvida Intermédica, apesar da execução da fusão ter gerado ruído considerável, representa a empresa com maior escala nesse modelo no Brasil.

No segmento de hospitais premium e oncologia, a Rede D'Or São Luiz aparece como ativo estrutural de longo prazo. A empresa se beneficia de tendências demográficas claras — envelhecimento populacional, aumento da incidência de doenças crônicas — e detém posicionamento em mercados de alta renda com menor sensibilidade a reajustes de preços.

O segmento de benefícios corporativos em saúde, representado por Qualicorp, oferece um perfil distinto: mais defensivo, com receita recorrente, mas com o desafio de recompor a base de vidas após perdas de contratos nos últimos anos.

## Riscos que Não Podem Ser Ignorados

Um relatório analítico sério não omite os riscos, e o de investidores sofisticados exige essa transparência. A XP elenca pelo menos três vetores de risco relevantes para o setor.

O primeiro é regulatório. A ANS enfrenta pressão política crescente para moderar os reajustes autorizados, especialmente em ano eleitoral. Um teto de reajuste abaixo da inflação médica — que historicamente supera o IPCA em três a cinco pontos percentuais — pode frustrar a recuperação de margens projetada.

O segundo é macroeconômico. Juros estruturalmente mais elevados no Brasil encarecem o custo de capital das empresas do setor, que são historicamente intensivas em investimento (hospitais, equipamentos de diagnóstico, expansão de rede). Com a Selic ainda em patamar restritivo, o custo de expansão permanece elevado e comprime a atratividade relativa frente à renda fixa.

O terceiro é operacional e específico às fusões. A integração de grandes operações como a HapVida-Intermédica ainda carrega riscos de execução. Sinergias projetadas no momento do anúncio da fusão foram parcialmente capturadas, mas o processo ainda não está concluído.

## Como Posicionar o Portfólio

Para investidores com patrimônio elevado que buscam exposição ao setor, a análise da XP sugere uma abordagem faseada. O momento atual é de construção gradual de posições, privilegiando empresas com balanço sólido, geração de caixa demonstrável e menor dependência de capital externo para crescer.

A diversificação dentro do próprio setor também é recomendada, distribuindo exposição entre operadoras, prestadores de serviço e segmentos de diagnóstico. Essa estratégia mitiga o risco de que um vetor específico — como uma decisão regulatória adversa para planos de saúde — contamine toda a alocação.

Por fim, o horizonte de investimento importa. A tese da XP é de médio prazo, com horizonte de 12 a 18 meses para que a normalização operacional se consolide nos resultados reportados. Investidores com janela mais curta devem considerar que a volatilidade dos papéis pode ser elevada até que os números confirmem a virada.

## Conclusão: Oportunidade Real, Execução Cautelosa

A entrada da XP na cobertura do setor de saúde com viés construtivo é um sinal relevante para o mercado. A corretora tem capacidade de distribuição considerável entre investidores pessoa física e institucionais, e uma cobertura favorável tende a direcionar fluxo para os papéis indicados.

Para o investidor de alto patrimônio, o dado mais relevante é o seguinte: o setor de saúde brasileiro atende a uma demanda estrutural e crescente, possui barreiras de entrada elevadas e conta com um ciclo de correção de valuations já avançado. Esses são ingredientes clássicos de uma oportunidade de médio prazo. O ingrediente que ainda falta — a confirmação pelos resultados financeiros — está se materializando progressivamente. Posicionar-se antes da plena confirmação carrega mais risco, mas também mais potencial de retorno.

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